Sobre Maria Lucia Fontainha

Biografia

Maria Lúcia Fontainha nasceu no Rio de Janeiro onde vive e trabalha. Seu interesse pelas artes plásticas começa em meados dos anos 80. Desde 1990 vem participando de várias exposições.

School of Visual Arts - New York ;

Bennett - Licenciatura em Educação Artística;

Cursos Parque Lage - Ricardo Becker, Fernando Cochiaralle, Anna Bella Geiger, Molica, João Goldberg

Texto Curatorial "Encontros" 2017

Segundo o artista visual e curador da exposição, o trabalho Pas de deux da artista Maria Lucia Fontainha nos fala de oposição de forças, sem ser panfletário e com muita sensibilidade, ironia e lirismo. Ao envolver com brancos e macios absorventes femininos uma ferramenta de aço, um serrote, os opostos se encontram e criam uma nova realidade, um falo suave ou uma vagina empoderada. Síntese e expressão de um futuro no qual as categorias se diluem, os objetos da artista se impõem também pela beleza e pelo perfeccionismo na execução.

Crítica "A Queima Roupa" 2016

Quando entro no ateliê de Maria Lúcia, encontro vários trabalhos espalhados pelo chão. São cenas intuitivas cheias de pistas. De imediato me vem imagens de corpos marcados por ‘flagra’ romanos. São como peles e texturas de sangue e dor.

O real enfrentamento do trabalho revela que são papéis queimados. Foram feitos a ferro e fogo por um simples ferro de passar roupa. É papel vegetal. Sua escolha demonstra que ela quis representar experiências íntimas, pessoais, muito particulares, quase indizíveis.

Maria Lúcia cria mandalas e cruzes aleatórias. Imagens inquisidoras. Deus é um Delírio! Impossível não lembrar de um sudário onde está impressa a história de um vivente.

São nebulosidades monocromáticas cheias de volumes. Seus flagrantes de vida terrena são esses papéis. Com uma fatura firme e precisa ela pisa o chão do real. Tem pele e texturas sutis.

Ela vai queimando e criando imagens fortes com transparências do nosso cotidiano.

Com rigor e elegância, vai incinerando e saturando quase furando os papéis até desaparecerem as imagens queimadas pelo ferro. Em um dado momento, a série se faz e se integra numa malha à queima roupa.

Ricardo Becker